Silêncio
O silêncio assombra-me. O silêncio desnuda os meus pensamentos. Dá-lhes poder, torna-os reais. O silêncio invade-me, como o vento que corre pelas frinchas no Inverno. O meu medo corre, também, pelas veias que me dão vida. Corre, apressado, pois este vazio, este silêncio o estimula. Como pode este tempo ter passado e eu ter permanecido no mesmo sítio? Como foi que a minha vida parou por tua causa? Volto a ligar a música, mas nem mesmo assim consigo parar este monstro que me engole. Os meus pensamentos centram-se nas tuas mãos e como elas me tocavam. O silêncio é a gasolina que alimenta este fogo em mim. Já nada lhe escapa, já nada lhe sobrevive... eras tudo o que eu queria, eras tudo o que silenciava a minha mente, quando o silêncio não me assustava. Isto parece um sonho, um sonho que se torna num pesadelo. Do qual, infelizmente, não posso acordar.
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