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Sonhos

Ninguém te pode substituir, tenho a certeza. Ninguém conseguirá preencher o vazio que me deixaste no peito, quando decidiste que o teu medo era mais forte. Quando decidiste que seria melhor deixar-me para trás. O engraçado é que não se pode fugir ao passado, pois sem ele não seriamos o que somos hoje. O engraçado é que apesar de tudo, tenho que tentar visualizar-te de uma maneira diferente, tenho que pensar que talvez fosse o melhor para ti, talvez fosse a única maneira de escapares a esse teu terror... esse teu terror que te assombrava os dias e as noites. Tentei compreender-te ao longo dos anos que passaram, no entanto não cheguei a nenhuma conclusão. Tentarei perdoar-te, então. Não consigo aguentar esta angústia e revolta, que se manifestam nos meus sonhos. Os meus sonhos tão recorrentes de ti. Vou tentar desapegar-me de ti. De vez.

Casa

Olho para os teus olhos, mas parece que estás a sonhar acordado. Eu não sei por onde começar, eu não sei por onde ir, sinto que andei a viajar com os olhos bem fechados. A luz tremeluzia, mas ninguém estava em casa. Sonâmbula, vagueei por estes caminhos, sem saber bem onde iam dar. Olho para os teus olhos, mas parece que estás a sonhar acordado e nunca te vi tão em paz. Nunca admirei a natureza desta forma, talvez pela primeira vez não esteja a vaguear... talvez pela primeira vez tenha direção... sonâmbula...

Silêncio

O silêncio assombra-me. O silêncio desnuda os meus pensamentos. Dá-lhes poder, torna-os reais. O silêncio invade-me, como o vento que corre pelas frinchas no Inverno. O meu medo corre, também, pelas veias que me dão vida. Corre, apressado, pois este vazio, este silêncio o estimula. Como pode este tempo ter passado e eu ter permanecido no mesmo sítio? Como foi que a minha vida parou por tua causa? Volto a ligar a música, mas nem mesmo assim consigo parar este monstro que me engole. Os meus pensamentos centram-se nas tuas mãos e como elas me tocavam. O silêncio é a gasolina que alimenta este fogo em mim. Já nada lhe escapa, já nada lhe sobrevive... eras tudo o que eu queria, eras tudo o que silenciava a minha mente, quando o silêncio não me assustava. Isto parece um sonho, um sonho que se torna num pesadelo. Do qual, infelizmente, não posso acordar.

Amor

Sentir esta necessidade de te poder ter nos meus braços uma outra vez, está a destruir o que resta da minha sanidade. No entanto, a ideia de te ver de novo, corta o meu coração. Esta ideia esfaqueia-me e torna-me fraca... o amor não é suposto tornar-nos mais fortes e determinados? Então, porque razão parece que me roubaram o chão? Não consigo respirar ao recordar o teu sorriso, esta memória não se apaga, não se desvanece. Parece doloroso não se ter a capacidade de esquecer alguém. Queria ter a coragem de parar de te relembrar. Gostava de ter pena do meu coração, gostava de não te saber de cor... A raiva substitui esta dor, de vez em quando, quando as lágrimas se esgotam e queimam a minha garganta. Quando a tua  memória incendia o meu ser, devastando tudo, nada sobrando para eu estimar. Congelas a minha mente, ao mesmo tempo que me queimas tudo aquilo que sou. Não me deixas avançar.

Tempo

O tempo urge em passar. O tempo urge em sarar. Mas o que acontece quando o tempo te devolve aquilo que perdeste? Fui prisioneira do tempo quando te deixei ir, quando acreditava que os ventos que te levavam seriam os mesmos que te trariam de volta. Pensava, até, que o tempo me faria esquecer, mas como poderia fazê-lo se estavas tão presente em mim? Jurava que eras passageiro na minha vida, mas até que ponto o podes ser se em ti penso e relembro o quanto me marcaste? O quanto me fizeste sentir? Jurava que eras passageiro na minha vida, mas acabaste por te tornar no condutor.

Folhas de Rascunho

Pedaços da minha alma espalhados como folhas de rascunho perdidas. Deixo parte de mim em tudo o que escrevo, arranco melodias e liberto-as ao vento para quem as quiser ouvir. Tenho desperdiçado todas as noites a tentar por em palavras tudo o que sinto, mas parece que a tinta da minha alma secou. Essas noites tornam-se intermináveis. Pois não consigo aceder às profundezas do meu ser e todas as portas são-me barradas. Chorar não é opção. Detesto pensar que só chorando consigo libertar estas emoções. Quero escrevê-las, quero imortalizá-las. Quero poder eternizar tudo o que corre pelas minhas veias, não me importa o que seja, desejo espalhar os meus sentimentos e deixá-los explorar o mundo.

Acordar

Não me acordem, ainda. Esta sensação de entorpecimento circula pelo meu corpo, conseguindo assim descansar. Não me acordem, não me levem, ainda. Estou perdida em memórias... Estou perdida porque não quero que ninguém me encontre. De olhos fechados é quando vejo melhor. Estou a tentar tirar-te da minha mente, se me acordarem irei recordar tudo uma outra vez. Se me acordarem irei viver tudo uma outra vez. Estou presa à minha própria realidade e neste momento sinto-me tão livre, tão distante... é tudo o que eu sempre quis. O barulho repetitivo do dia a dia que anseia por me engolir torna-se cada vez mais insistente. Não há nada que eu possa fazer agora. Acordei.